Partida com Festa: Marajó se Despede do Mestre Damasceno em Cortejo Emocionante!

O Marajó se vestiu de festa e emoção para dar o último adeus ao Mestre Damasceno, um ícone da cultura paraense. Após uma vida dedicada à música e à valorização das tradições locais, o corpo do compositor de mais de 400 canções e criador do Búfalo-Bumbá foi sepultado em Salvaterra, sua terra natal.

O velório, que durou dois dias, foi uma celebração da vida e da obra do mestre. O carimbó, o boi-bumbá e o búfalo-bumbá, manifestações culturais que Damasceno tanto amou e promoveu, marcaram a despedida. Uma multidão acompanhou o cortejo pelas ruas de Salvaterra, cantando e dançando em homenagem ao artista.

Damasceno faleceu aos 71 anos em Belém, após uma batalha contra o câncer. Sua partida gerou grande comoção e o governo do Pará decretou luto oficial em sua homenagem. O Ministério da Cultura também expressou seu pesar pela perda de um dos maiores representantes da cultura popular brasileira.

Uma Despedida em Ritmo de Carimbó

O cortejo fúnebre se transformou em uma grande manifestação cultural, com a presença de grupos de carimbó e mestres de diversas cidades. A pequena Sofia Pantoja, de 11 anos, emocionou a todos ao dançar carimbó durante o cortejo, demonstrando o legado de Damasceno para as novas gerações. “Foi ele quem me ensinou a gostar da dança”, afirmou a menina.

O velório teve início em Belém, no Museu do Estado do Pará, e seguiu para Salvaterra, onde o corpo foi velado na Câmara de Vereadores e nas ruas da cidade. A multidão se despediu do mestre com muita música e alegria, atendendo ao seu último desejo.

A Toada da Despedida: Um Legado de Alegria e Resistência

Em um gesto emocionante, a música inédita “Toada da Despedida”, composta por Mestre Damasceno para ser cantada no dia de sua morte, foi entoada em coro por amigos e admiradores durante as homenagens. A letra da canção expressa a serenidade e a alegria com que o mestre encarava a morte:

“Adeus, meu povo, que eu já vou me embora.
Já está na hora de eu me regressar.”

Segundo o produtor cultural Guto Nunes, amigo de Damasceno, a última mensagem do mestre foi um pedido por alegria: “Ele falou que não queria tristeza no velório dele. Queria alegria e que todo mundo cantasse essa música”.

Mestre Damasceno: Um Defensor da Cultura Marajoara

Nego Ray, mestre de Carimbó, ressaltou a importância do legado deixado por Damasceno: “Ele deixa um legado muito grande para a geração mais nova com relação aos seus saberes ancestrais, suas composições”.

Natural da comunidade quilombola do Salvar, em Salvaterra, Mestre Damasceno dedicou sua vida à valorização da cultura marajoara. Criou o Búfalo-Bumbá, uma expressão cultural que celebra um dos símbolos da ilha, e lutou pela divulgação dos ritmos paraenses em todo o Brasil.

Reconhecimento e Legado

Em maio deste ano, Damasceno foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta honraria concedida pelo Ministério da Cultura. Emocionado, o mestre declarou: “Trago comigo tudo o que aprendi com meus pais e avós, ancestrais quilombolas. São mais de 50 anos dedicados às tradições culturais marajoaras, e hoje colho os frutos de uma vida inteira de trabalho. Espero fazer ainda mais”.

Mestre Damasceno se foi, mas seu legado de alegria, resistência e amor à cultura marajoara permanecerá vivo para sempre na memória do povo paraense.

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