Partida Precoce: Artistas e Escritores Sentem a Perda de Luis Fernando Verissimo
O mundo da literatura e das artes está de luto. Neste sábado, dia 30, a notícia da morte de Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, ecoou por todo o Brasil. Considerado um dos maiores escritores do país, Verissimo estava internado há cerca de três semanas na UTI do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lutando contra um princípio de pneumonia.
A partida do escritor deixou um vazio imenso, e as homenagens não tardaram a surgir. Artistas, escritores e personalidades de diversas áreas expressaram seu pesar e compartilharam lembranças do mestre das palavras.
O Legado de um Gênio: Depoimentos Emocionados
Em entrevista à GloboNews, a escritora e jornalista Cíntia Moscovich, amiga próxima de Verissimo, destacou a importância do escritor para a literatura brasileira. “Ele fazia questão de estar muito próximo de todos nós, que vivíamos a literatura”, disse ela, ressaltando o papel de Verissimo como um agregador de talentos e um incentivador da cultura.
Moscovich ainda acrescentou: “Estreitava e formava um núcleo agregador em Porto Alegre e no Brasil, que fazia com que a gente se comunicasse com os vários ‘Brasis’ que existem, em termos literários e afetivos. Luis Fernando estava sempre presente — e não era muito de falar, mas de olhar.”
Confira o vídeo com o depoimento emocionante de Cíntia Moscovich:
O cartunista Angeli também se manifestou nas redes sociais, prestando homenagem e expressando solidariedade à família do escritor. “Todo amor para Lúcia, Fernanda, Mariana, Pedro e família. Imensurável é ‘o pai'”, escreveu Angeli, demonstrando o carinho e a admiração que sentia por Verissimo.
Uma Vida Dedicada à Arte e à Cultura
Nos últimos anos, Luis Fernando Verissimo enfrentou problemas de saúde, incluindo Parkinson e complicações cardíacas. Em 2016, ele passou por um implante de marcapasso. Em 2021, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que resultou em dificuldades motoras e de comunicação.
Verissimo deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos. Seu legado, no entanto, permanecerá vivo através de suas obras e de sua influência na cultura brasileira.
Herança Literária: A Informalidade como Marca Registrada
Luis Fernando Verissimo sempre reconheceu a influência de seu pai, o renomado escritor Erico Verissimo, em sua obra. Erico, autor de clássicos como “O Tempo e o Vento”, foi um dos primeiros escritores brasileiros a adotar uma linguagem mais informal em seus textos.
“O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal. E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de escrever”, declarou Verissimo em uma ocasião.
Números que Impressionam: O Fenômeno Luis Fernando Verissimo
A trajetória de Luis Fernando Verissimo é marcada por números impressionantes. Ao longo de sua carreira, ele publicou mais de 70 livros, que venderam mais de 5,6 milhões de cópias. Suas crônicas, romances, contos e quadrinhos conquistaram leitores de todas as idades e classes sociais.
Principais marcos da carreira de Verissimo:
- Início no jornal Zero Hora, em 1966, como revisor.
- Atuação como tradutor no Rio de Janeiro.
- Publicação do primeiro livro, “O Popular”, em 1973.
- Colunas nos jornais “O Estado de S.Paulo”, “O Globo” e “Zero Hora”.
A Timidez e a Paixão pela Música
Apesar do sucesso e do reconhecimento, Luis Fernando Verissimo sempre foi um homem discreto e reservado. Ele continuava a viver na casa onde cresceu, em Porto Alegre, e prezava por momentos de tranquilidade e introspecção.
Além da literatura, Verissimo era apaixonado por jazz e tocava saxofone. A música era uma forma de expressão e um refúgio para o escritor, que também era conhecido por sua timidez.
“Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”, brincou Verissimo em uma entrevista, revelando seu senso de humor afiado e sua aversão a grandes conversas.
Futebol no Coração: A Paixão pelo Inter
Outra grande paixão de Luis Fernando Verissimo era o futebol, especialmente o Internacional de Porto Alegre. Torcedor fervoroso do clube, ele escreveu o livro “Internacional, Autobiografia de uma Paixão”, onde declarou seu amor incondicional pelo time.
Verissimo cobriu Copas do Mundo desde 1986 e relembrou com emoção um clássico Gre-Nal, que marcou sua primeira experiência em um estádio de futebol. Ele também celebrou o título do Mundial de Clubes de 2006, vencido pelo Inter, através da crônica “Não me acordem”, que se tornou um hino para os torcedores colorados.